Texto bíblico: Gn 12; Nm 27; Mt 4; Rm 16

A nossa tarefa, é meditar sobre a prática da liderança cristã.
Sendo assim, estamos procurando conhecer o que a distingue da liderança comum e o que a caracteriza. Estamos focalizando a liderança cristã, em geral, nos vários setores da Igreja. Não estamos especificando a função pastoral.
Olhando para a organização do povo de Deus, como tal, desde o seu início com Abrão, vamos encontrar em Gn 12:1-9 alguns elementos significativos que vão caracterizando a liderança do povo:
•   Deus traçou um projeto. A idéia inicial procedeu do coração de Deus.
•   Houve um chamado da parte de Deus. Abrão foi chamado para a realização do projeto, com um fim específico.
•   A jornada de Abrão em direção à realização do projeto foi dirigida pelo Senhor, passo a passo.
•   Abrão foi obediente e dispôs o seu coração a seguir os planos de Deus, em fé e confiança.

A partir do v. 11, houve um momento em que Abrão parece ter agido sem consultar a Deus, descendo ao Egito. Talvez uma oscilação da fé, uma vez que passou a utilizar-se de expedientes de sua própria iniciativa, a fim de evitar o ciúme de Faraó em relação à Sara, sua mulher. Afastou-se, ainda que momentaneamente, do projeto traçado por Deus. Mais adiante, encontrou-se enredado na trama que ele próprio traçou, terminando por ser advertido por Faraó, um rei pagão, que o mandou de volta para a sua terra. Um constrangimento que poderia ter sido evitado.

Encontramos, aí, as primeiras lições a respeito da liderança cristã. Lições positivas, a serem seguidas, e lições negativas, a serem evitadas.

Porém, o projeto de Deus foi se realizando, suas promessas foram se cumprindo e o povo de Deus já estava formado. Estando cativo, no Egito, foi a vez de Moisés receber o chamado de Deus para libertar e liderar o povo em direção à terra de Canaã.
As experiências de Moisés à frente do povo e as grandes maravilhas que Deus operou através dele, nós bem conhecemos.
Há, contudo, um aspecto apresentado pelo próprio Moisés que merece a nossa consideração.
Depois de tantos anos liderando o povo e, sendo avisado pelo Senhor de que não entraria na terra prometida, juntamente com os filhos de Israel, Moisés fez um pedido a Deus.  O teor  do  pedido  demonstra  que  aqueles  anos  de  experiência,  na  liderança,  lhe
ensinaram o quanto é importante haver um líder que conduza os filhos de Deus em direção às finalidades traçadas pelo Senhor. Em Nm 27:15-17, lemos: “Então falou Moisés ao Senhor, dizendo: O Senhor, Deus dos espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre esta congregação. Que saia diante deles, e que entre diante deles, e que os faça sair, e que
os faça entrar: para que a congregação do Senhor não seja como ovelhas que não têm pastor”.

O Senhor manifestou o seu acordo ao pedido de Moisés, indicando a Josué para sucedê-lo na liderança do povo de Israel, prometendo estar com Josué como esteve com Moisés (Js 1:5).

O Senhor é quem escolhe o líder; o Senhor é quem dirige, capacita e sustenta o líder na sua missão.

Uma vez sendo tão importante a presença de líderes que estejam à frente das realizações do povo de Deus, há exigências e condições a serem cumpridas pelos líderes.

O Senhor prometeu a Josué que seria com ele como foi com Moisés, contanto que Josué tivesse o cuidado de fazer conforme toda a lei que Moisés recebeu de Deus e transmitiu a ele, Josué, e ao povo, “para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares”, disse o Senhor (Js 1:7).

É preciso que o líder cristão nunca se esqueça de que ele está conduzindo um povo, ou parte do povo, que é de Deus. O projeto a ser realizado vem de Deus, os propósitos a serem alcançados são de Deus. Tudo é de Deus e para a glória de Deus. E para que o povo caminhe em submissão ao Senhor, o líder deverá ser o primeiro a submeter-se à direção do Senhor.

Enquanto o líder secular trabalha para a realização de projetos humanos, o líder cristão trabalha para a realização de projetos divinos. Isso faz toda a diferença. Nem sempre os recursos adequados aos empreendimentos seculares são os mais indicados aos projetos divinos. Trabalhar em total dependência de Deus é imprescindível ao líder cristão.

Quando examinamos o assunto no Novo Testamento, encontramos o Senhor Jesus chamando aqueles que seriam os seus cooperadores diretos de ministério terreno, preparando-os para estarem à frente do serviço cristão, fato registrado nos quatro evangelhos.
Ao chamar os dois primeiros - Pedro e André - Jesus o fez dizendo: “Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens”.(Mt 4:19), mostrando com isso duas coisas fundamentais na liderança cristã:
-   O líder cristão segue após seu Mestre. Jesus vai à frente, sendo sempre o líder maior. Em síntese, Jesus é o líder Supremo. Sem isso, não há liderança genuinamente cristã.
-   Jesus é quem indica qual é o objetivo principal a ser alcançado no trabalho proposto.
Um exemplo notável sobre mais uma das características do líder cristão é encontrado em Atos 9 e 11, em relação a Barnabé, homem de bem, cheio do Espírito Santo, e de fé. Quando os discípulos ainda duvidavam da conversão de Saulo, temendo-o, inclusive em decorrência do período em que ele perseguiu a Igreja, Barnabé foi quem o tomou e o levou aos apóstolos, testemunhando da conversão  de  Saulo  e  de  suas primeiras  pregações  do evangelho.
No cap. 11, Barnabé foi enviado pela Igreja que estava em Jerusalém à Antioquia. Chegando lá, viu que o Evangelho estava se expandindo e que  seria importante a presença de um líder para trabalhar naquele local. Foi a Tarso para buscar Saulo. Barnabé já vira em Saulo, que passou a ser chamado de Paulo, um potencial de liderança colocado pelo Senhor e tomou a iniciativa de introduzi-lo no trabalho.

Mais adiante, quando esses dois grandes servos de Deus manifestaram uma divergência de opinião quanto à escolha de um terceiro para acompanhá-los numa outra viagem, Barnabé não teve dificuldades em se separar de Paulo, deixando-o liderar uma outra viagem missionária com Silas, enquanto ele seguia com João Marcos para Chipre. Barnabé demonstrou confiar na capacidade de liderança de Paulo e no seu interesse espiritual pelo reino de Deus. O resultado foi uma maior expansão do Evangelho.

Aprendemos, com isso, que o verdadeiro líder cristão, que ama o serviço do Senhor, por amar primeiro a Deus, trabalha pela formação de novos líderes, porque a motivação do seu coração é ver o trabalho se expandindo.

Entretanto, em que pese favoravelmente esse resultado,  não podemos esquecer que houve um desacordo que não foi superado e que, nem sempre, as divergências produzem bons resultados. Ao contrário disso, os frutos costumam ser negativos. Neste episódio, estavam envolvidos dois homens de Deus que, a despeito da divergência quanto a um ponto, estavam em acordo espiritual quanto ao objetivo do trabalho e à motivação para realizá-lo.
É necessário considerar que sem acordo espiritual o trabalho fica prejudicado e que, muitas vezes, um pequeno detalhe pode inviabilizar uma grande obra.
Diante disso, lembramos do que nos diz a Palavra de Deus sobre o dom de presidir, na lista de dons espirituais e ministérios de Romanos 12: “o que preside, faça-o com cuidado”.
Cuidado que implica em ouvir sempre a voz de Deus sobre o que deve ser feito em seu reino.
Porque o reino é de Deus; não é nosso.
A nós, mais uma vez, cabe o grande privilégio de sermos tão somente ‘Servos do Senhor’. O que muito nos honra. Que o Senhor a todos abençoe e dirija.

Amém!

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